segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vazio Solitário

Todo mundo tem, todo mundo se apóia em um. Ela tem, mas não se apóia em nenhum. De dentro para fora apenas palavras secas e sem nexo, sem sabor. Por fora uma carcaça aparentemente bem cuidada, mas sem deixar de transparecer as cicatrizes do interior. Por dentro vazio, opacidade... Escuridão. Sangue não existe, coração tampouco. No lugar deste existe apenas um cubículo de gelo ácido, completamente inflamável e radioativo. Na mistura certa, obtém-se substâncias coloridas, carinhosas... Amáveis, porém com vida curta se não cultivado sempre. Se adicionado o elemento errado, o resultado é instantâneo com efeitos fatais. Dor não existe, parou de sentir há muito. Ou acostumou-se com a mesma. Olhos distantes, sem cor, sem transparecer. Ombros caídos, necessitado de outros para se sustentar. Aparentemente inabalável, porém mais fraca do que ela não existe.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

One of The Best

Cansaço, bocejo, lágrimas, cama, mundo meu. Cenário familiar, um rosto familiar. Faces longe, que agora, vejo de perto, com detalhes. Ações leves e brincadeiras em corpos sorridentes, uma comemoração. Um beijo suave e traído, doce e macio. Sonho realizado, parte dele. Os olhos se abrem e toda a vontade é fechá-los de novo, reviver o que nunca aconteceu. Reviver a perfeição novamente, onde minha mão, conseguia alcançar a distância da sua.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Morganti JuJitsu.

Muito mais do que corpos em fortes atritos, nós, apaixonados, chamamos de luta. Luta corporal com muito mais determinação e vontade, aprendizado a cada dia. A busca pelo ápice do condicionamento físico, pelo limite. Coisa que para nós, lutadores, não existe. A cada treino uma lição e a cada lição, a paixão cresce. No branco, a junção de todas as cores, no preto, a ausência, porém, com sabedoria. No tatame encontramos uma irmandade. Nos campeonatos, rivais, mas nunca inimigos. Nas aulas, experiência e sabedoria. Nos exames, graduação e respeito. A cada luta perdida, uma nova finalização é guardada. E a cada luta ganha, é uma vitória a ser contada.

domingo, 20 de setembro de 2009

Podridão.

Sujeira, lixo, um dia inteiro: uma vida inteira. Esse cheiro fixador, que se pode esconder dores em odores, usado há tempos atrás, em dias longos e sorridentes. Falsos e, aparentemente, felizes. Faces escondidas por toda a parte mostram uma só criatura mutável-imutável. Complexidade nos sentidos e vontades aparentes que vem na mesma rapidez em que se vai; não tente explicar. Tolice. Falta de algo mais perfurador e intrigante. Busca pelo impossível, pelo ápice. Asco. Cansaço, uma vida sem importância. Dentes vazios a mostra junto com olhos que se entregam para qualquer um. Qualquer um que entender.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Como Se Fossem de Verdade

O pensamento insiste em penetrar a minha mente e eu te tenho como paisagem perfeita em minha cabeça. Minhas rugas se acentuam ao pensar em tal coisa e meu coração palpita enquanto deixo que essa sensação tome conta do meu ser e eu viva em você. Por mais que passe o tempo e tudo seja levado, a música me faz lembrar de tudo e é como se fosse real, como se realmente tivesse acontecido. Meus olhos se fecham e minhas mãos percorrem todo o seu corpo em busca de algo que minha essência necessita e está em você; o sotaque é forte e quanto mais eu me deixo levar pelas lembranças, mais eu posso jurar que estou te tocando. Te sentindo. A melodia entra pelos meus ouvidos e segue direto a caminho do meu coração, fazendo com que eu sinta meu corpo no ar e torne a sentir aquele cheiro de que tanto gostei e me provocou sensações impossíveis de nomear. Impossíveis de esquecer. Minha memória insiste em tais cenas vividas em uma ilusão, como se fossem de verdade, e eu simplesmente não posso, não consigo afastar para longe.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ohne Titel

Quando não se encaixa, quando tudo é apenas nada. Quando as pessoas se afastam, quando tudo não mais importa. Tu és minha esperança, Lorde, minha força está no Teu conforto e em Ti a minha ascensão. Em Ti confiarei mesmo que os de pele e osso não confiem e não te aceitem. Pois sabia que quem não Te aceita, não está aceitando a mim também. Tu vives e viverás em mim para sempre, Lorde das Luzes. Em Ti sempre serei vitorioso mesmo que machucado.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O Não Bem-Vindo Bem Querido

Saia, não entre, você não tem a minha permissão

Vamos, se afaste do meu coração

Eu não te quero, sai de mim maldição

Não! Não adianta ir pelo outro lado

Eu não quero ser enfeitiçado

Ei! Não faça iss... Droga!

Saia agora mesmo de dentro de mim

Você não é tão perfeito assim

Quem manda em mim sou eu

Procure outro plebeu!

Você só me trará sofrimento,

Não está vendo?

Saia de mim eu te imploro,

Saia de mim pois eu te adoro

Fique, eu deixo

Não se vá, eu te prometo!

Eu preciso de disso,

Você não está arrependido?

Entrou em mim e me faz acelerar,

Entrou em mim e me fez sonhar

Isso não está certo

Por que você é mais esperto?

Eu te quero,

Fique por perto;

Você está me matando,

Eu estou adorando

Ei! Não se afaste, volte para mim

Por que você está me deixando assim?

Volte, eu te peço

Volte, eu te quero!

Me deixou sangrando

E agora está andando

Andando para longe de mim;

Foi embora, isso não terá fim.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Inspiração, cadê?

A vontade de escrever vem, mas dessa vez ela não é acompanhada pela inspiração, o que me faz ficar frustrada, já que uma não serve de nada sem a outra. Milhões de assuntos pairam pela minha mente; selecionando um por um eu procuro e penso o que vou escrever. Penso até que tudo que eu já tinha que vomitar e colocar pra fora, já coloquei. Mas não, tem muita coisa guardada ainda, da pra sentir. O problema está em transformar em palavras, combiná-las, seduzi-las para fora da boca enquanto meus dedos se movimentam involuntariamente e meus olhos se fecham na escuridão pensante e silenciosa. A música toca, me fazendo procurar pela inspiração que move meus dedos tão mais rápido e facilmente. O tempo passa devagar, as palavras parecem não querer sair e quando saem, não existe a essência inspiradora que transmite sentimentos incomuns. A música continua a tocar, dessa vez, uma outra diferente, mas com a mesma busca incessante que insiste em querer ser o centro das procuras mais profundas existente dentro de um ser. É, pelo visto por mais que eu a procure, ela não virá me visitar hoje.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Redação de Prova

Definitivamente não existe coisa pior. O tempo passa rápido, a letra está uma porcaria e nem se dar ao luxo de produzir um rascunho se tem. Hah, se o fizer, já era, será o último a entregar a bendita prova com pequenas linhas e apertados espaçamentos. A letra continua uma porcaria e nem na terceira linha se está, as idéias fogem e os compreensíveis coleguinhas não cooperam. Uma idéia surge. Seu querido amigo ao lado insistem em fazer barulhinhos com o lápis ou até mesmo com a boca e a idéia se vai. A raiva sobe e a vontade é de fazê-lo engolir aquele maldito lápis ou a própria língua. O relógio gritando, dizendo que só faltam apenas 10 minutos e a redação, se é que pode chamar assim, ainda não tem nem nexo. Pensa, pensa e pensa. Impossível, seu amiguinho ao lado novamente insiste em fazer o maldito barulho com a boca ou em simplesmente rir. No caderno dele, a folha está mais alva do que pomba da paz. O relógio torna a gritar, só faltam 5 minutos. Finalmente uma idéia surge e você consegue agarrá-la, sem deixar o seu aplicado coleguinha te distrair. A ansiedade te toma por completo e as palavras fluem como rio na ponta do lápis. Sim, lápis, não iria se atrever a escrever de caneta com tal “perfeição” de letra. O texto está uma porcaria, embora a idéia tenha deixado milhões de palavras fluírem. Finalmente se consegue chegar ao número mínimo de linhas pedido pela professora. O relógio grita junto com o sinal, dessa vez, e todos se levantam. Folhas completas, com várias letras escritas. É hora de finalmente entregar a tal tentativa não muito bem sucedida de redação. Lembranças da 6ª série.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Eu e as Borboletas

Solidão é uma coisa que poucos conseguem lidar e conviver. E a minha é em tempo integral, por mais que eu esteja rodeada de pessoas, sempre será apenas eu. Por mais que eu queira estar junta, eu sempre estarei sozinha... Por mais que existam momentos nos quais insistem em penetrar e permanecer em minha mente, eu não cederei de forma alguma. Sou eu e meu umbigo, eu e minhas verdades... Eu e meus pontos de vistas. Eu e o escuro, antes de dormir. Milhões de pensamentos, todos vindo e indo para o nada. Milhões de vontades e medos, de uma só vez, em minha cabeça. Milhões de hipóteses... Possibilidades. E então chegam as borboletas, de todas as cores e de todas as formas, me fazendo flutuar no universo de anseios e desejos, me fazendo querer concretizar pensamentos inúteis, fúteis... Levianos. Fazendo-me voar na mais alta das altitudes ou mergulhar no mais profundo oceano. Motivada pro elas. Tão coloridas, tão... Cheias de vida. Quando menos espero, elas vão embora e só o que fica é o vazio. A coragem não existe mais, os pensamentos que pareciam ser realidades se foram e só o que me resta é esperar pela noite seguinte, quando elas vierem visitar minha barriga de novo. As cores não estão mais presentes, nem a motivação... Apenas a ansiedade para o dia seguinte. Cada dia o número delas aumentam e cada dia elas estão mais cheias de cores e de vida... Cada vez mais borboletas.